Diagnóstico da Esclerose Múltipla

Ainda hoje com os avanços da ciência, não é fácil diagnosticar a EM, cujos sintomas associados, são vários e, comuns a muitas outras patologias. Fundamental é a consulta de neurologia para uma análise minuciosa da história clínica sendo o diagnóstico baseado em dados clínicos e para-clínicos:

  • Dados clínicos: história da doença, e resultados de investigação clínico-neurológica
  • Dados para-clínicos: resultados de ressonância magnética, os potenciais evocados e a análise do líquido cefalorraquidiano

São realizados exames neurológicos, exames dos nervos cranianos, o teste dos reflexos, o teste à função motora, o teste à Marcha e Equilíbrio e o teste à função sensitiva.

Técnicas de diagnóstico da Esclerose Múltipla
  • Ressonância Magnética;
  • Punsão Lombar;
  • Testes dos Potenciais Evocados.
Sintomas

Os sintomas associados à EM são inconstantes tanto quanto à sua frequência, como gravidade, variando de acordo com o local lesado no Sistema Nervoso Central. Como sintomas podemos identificar:

  • Parestesias (alterações sensitivas);
  • Alterações Visuais;
  • Alterações de Equilíbrio e Coordenação Motora;
  • Disartria (alterações da fala e da articulação verbal);
  • Alterações Motoras e Espasticidade;
  • Alterações Urinárias;
  • Fadiga;
  • Alterações Psicológicas e Cognitivas.
Aspetos Psicológicos

O impacto do diagnóstico de EM pode ser devastador a nível emocional: “doença incurável, crónica, progressiva que ataca o próprio organismo”.

O aparecimento da EM, acontecimento anormal na vida do homem implica mudanças profundas e permanentes no seu dia-a-dia. É avassalador ouvir estas palavras do profissional de saúde. Sentimentos de ira, frustração, choque, tristeza emergem no doente, geralmente um jovem na fase produtiva da sua vida. Viver com este diagnóstico não obriga negar estes sentimentos mas sim, realizar uma readaptação face às novas exigências que a doença impõe. Sabemos que as reações que cada um irá refletir dependerão não só da sua personalidade como também do apoio que sentem e recebem das pessoas mais significativas.

Num primeiro momento observa-se no portador a não aceitação do diagnóstico, negando-o a si próprio “não é possível… é um engano…”.
Por vezes tornam-se pessoas hostis, agressivas, antipáticas, desagradáveis de conviver, sendo os principais alvos desta mudança comportamental a família e os amigos que com ele convive. Paciência de todos os familiares e amigos é fundamental para ultrapassar esta fase da sua vida.

Ultrapassada esta primeira fase, com tempo variável, o doente procura junto dos profissionais de saúde, dos familiares e amigos, clarificar a forma como quer vir a ser tratado. Frequentemente observam-se comportamento de acomodação à doença, desistindo de lutar contra ela podendo emergir aqui numa fase depressiva, isolando-se de tudo e de todos: “eu não consigo…eu não sei como fazer…isto não é para mim…”.

No decorrer do tempo e, em alguns casos com apoio terapêutico o doente entra numa nova fase a que podemos identificar como uma fase de aceitação da doença. Passa a compreender melhor o seu diagnóstico, está mais empenhado no tratamento e verbaliza/dialoga sobre a doença sem a raiva, o choque, ou a angústia inicialmente observada aquando do seu diagnóstico. O falar sobre a mesma, o partilhar emoções, conhecimentos, experiências auxilia-o a perceber mais sobre a patologia. Toma consciência que pode vive encarando e lidando diariamente com a EM.

Não só é desafiante aceitar o diagnóstico, como também o é aprender a lidar com os sintomas a ele associados. A EM é psicologicamente desafiadora pela forma como se manifesta. Os seus sintomas, comuns a tantas outras patologias aparecem, desaparecem, reaparecem e, em alguns casos acabam por permanecer.

O doente tem consciência que ainda hoje a EM é uma doença incurável, mas com tratamentos que reduzem a frequência, intensidade e número de surtos. Não obstante, os momentos de exacerbação da doença em que o doente se torna dependente de outros para a realização das suas atividades continuam difíceis de serem aceites.

Há muito tempo que a depressão e a ansiedade são descritas nos pacientes de EM.
A ansiedade é um sintoma permanente nesta doença. Manifesta-se precocemente desde a altura em que se pesquisa pelo diagnóstico quando ainda se realizam uma panóplia de exames para confirmar o diagnóstico e mantém-se ao longo de toda a vida com maior ou menos intensidade, perante o desconhecimento sobre o percurso evolutivo da doença.

A depressão, muitas vezes confundida com outros estados emocionais, é frequente na EM como a resposta rápida e a manifestação da necessidade de procurar ajuda para se alcançar de novo o equilíbrio existencial.

Este sintoma muitas vezes surge pela perda das capacidades físicas e/ou cognitivas, pelo medo em relação ao futuro, pela perda da autonomia. Por vezes a depressão aparece oculta nos próprios sintomas de EM: perturbação de sono, disfunção sexual, dificuldades de concentração, insónia.

A euforia ainda que rara pode surgir em especial a euforia de exagerado bem-estar face à instabilidade emocional por que o doente está a passar. Ainda que rara como já referido associa-se esta sintomatologia a lesões desmielinizantes ou à predisposição genética para existência de um quadro psicótico.

O comprometimento cognitivo dos doentes de EM é bastante significativo afetando funções como a memória, velocidade de processamento de informação, capacidade de resolução dos problemas, fluência verbal. Ainda que estes comprometimentos não sejam regulares eles possuem particularidades próprias quando associados à EM, uma vez que pode ocorrer o comprometimento de certas funções cognitivas específicas, enquanto outras permanecem intactas. Um défice cognitivo interfere negativamente na qualidade de vida do doente de EM dada a diminuta probabilidade de ter um emprego estável, o menor comprometimento social e a realização de tarefas domésticas aumentando o seu nível de dependência.
Uma avaliação neuropsicologia e o uso de técnicas de reabilitação cognitiva permite avaliar quais as funções lesadas e as que estão intactas promovendo uma melhor estruturação e organização da vida doentes reduzindo os efeitos nefastos deste défice, auxiliando o doente e os familiares a determinarem metas reais de vida e uma melhor compreensão da doença.

Outro fator a ter em consideração é a família. Um diagnóstico de EM afeta todos os membros do agregado familiar pondo à prova a sua dinâmica e relacionamento. Este diagnóstico tem repercussões não só a nível pessoal, como também a nível profissional, financeiro, nas relações familiares e na relação entre a família e a sociedade onde se insere.
Não podemos esquecer que no decorrer progressivo da EM os familiares e/ou cuidadores são relevantes para o doentes, valiosos para os profissionais de saúde e para processos de tomadas de decisão e de resolução de problemas.
Também as crianças são membros deste agregado familiar. Todas as famílias são únicas! Independemente do sentimento inato de proteção dos Pais para com os filhos, também eles sentem medos, angústias, receios. São sensíveis às mudanças de comportamento dos seus familiares e oculta-los exacerba apenas estes sentimentos como algo de mau do qual não se pode falar. Os adultos ficarão surpreendidos com a capacidade que as crianças têm para lidar com realidades dolorosas. Diálogos abertos, sinceros e diretos com as crianças sobre a EM farão com que estas se sintam como um membro importante da família. Compartilhar problemas e ajudarem-se mutuamente tornará certamente a família ainda mais unida.

A abordagem e acompanhamento dos doentes de EM tendencialmente é realizada por uma equipa multidisciplinar, centrada nos aspetos físicos e psico-cognitivos, valorizando-se um diagnóstico e tratamento idiossincrático de acordo com as necessidades e características de cada doente.
É fundamental uma relação empática, cordial, de apoio e veracidade entre o terapeuta e o doente, definindo-se objetivos de tratamento e metas reais a serem alcançadas que permitirão que não se criem expectativas demasiadamente otimistas que possam prejudicar a terapia.

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