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Encerramento do
Laboratório de Líquido Céfalo-Raquidiano (LCR)
Do Serviço de Neurologia do Hospital de S. João
A ANEM teve conhecimento, através de alguns doentes de EM assistidos no serviço de neurologia do H. S. João, que o laboratório de líquido céfalo-raquidiano, único a nível nacional, foi encerrado, este ano, após mais de trinta anos de serviço, e passou a funcionar no Departamento de Patologia Clínica, onde se encontram muitos outros laboratórios.
Importa esclarecer sobre a real importância deste laboratório para o diagnóstico definitivo e precoce em muitos doentes com esclerose múltipla, através da pesquisa de bandas oligoclonais pela técnica mais sensível para o efeito, publicada em 1994, e a única aprovada por consenso europeu, que se chama “focagem isoeléctrica”.
Os doentes em questão manifestaram o seu desacordo e recorreram à nossa Associação para divulgarmos esta situação a todos os doentes de esclerose múltipla, pois o que está em causa é a perda de qualidade na eficácia diagnostica, no que se refere à E.M.
No Departamento de Patologia Clínica, não fazem a técnica segundo os padrões mencionados anteriormente, pelo que a utilização de técnicas mais antigas e menos sensíveis pode dar um resultado falsamente negativo, o que prejudica os doentes ao atrasar o diagnóstico.
A demora média entre a punção lombar e o resultado no referido Laboratório era de 8 dias (dados de 1999, 2000 e 2001), isto é, tanto ou até menos tempo do que o de uma ressonância. No referido Departamento, a demora média aumentou substancialmente, sendo superior a três semanas.
Para além disto, o Departamento de Patologia Clínica está situado três pisos abaixo da Neurologia e as amostras de LCR não são processadas de imediato dado o grande volume de outras análises que este departamento faz (sangue, urina, expectoração, LCR, entre outros), pelo que há o risco de deterioração dos produtos e de contaminação. Note-se que estamos a falar de LCR, cuja colheita implica uma punção lombar que é um exame invasivo, isto é, não é facilmente realizável, ao contrário, por exemplo, de um exame ao sangue que facilmente se colhe outra amostra, se for necessário.
Também a optimização de resultados assenta sempre no interesse que os técnicos põem no que fazem. Assim, ninguém substitui com qualidade um neurologista, há anos, no Hospital de S. João, a realizar esta análise do LCR, especialmente dirigida para os doentes com esclerose múltipla.
Numa altura em que só se fala da evolução e progressão da medicina, estaremos nós a presenciar um exemplo concreto de regressão?
A Direcção
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