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"Uma
questão de amor"
Aldina Almeida cuida do
doente Duarte Silva há 13 anos
Cuidadora há 13 anos do paciente
de esclerose múltipla Duarte Silva há cerca de 13 anos, Aldina Almeida não esconde as
inúmeras dificuldades que experimenta todos os dias, mas sublinha que está “em casa do senhor engenheiro” por
esta ser “uma questão de amor” e uma relação de troca: “Eu também tenho alguns problemas porque tive um
esgotamento e o que me vai valendo é estar aqui porque se estivesse em minha casa estaria pior”.
Duarte Silva tem 60 anos e a esclerose múltipla (EM) foi-lhe diagnosticada há 29
anos, deixando a meio uma carreira na engenharia. De facto, como acontece mais
vezes do que o desejável, com o diagnóstico da doença vieram não só os efeitos físicos,
mas sobretudo os problemas psicológicos que viriam a culminar no divórcio e num
forçado mau acompanhamento do crescimento da sua filha, actualmente com
27 anos. Duarte Silva é, porém, um dos muitos casos em que o papel do cuidador é
muito importante, personificado no caso deste doente de EM desde há 13 anos por
Aldina Almeida. “É uma companhia muito importante, estou muito habituado a ela e,
que é quem me ajuda”, disse à EM Revista.
Sem quaisquer laços de sangue, a cuidadora acaba por ser mais do que família
para Duarte Silva: “Antes cuidava do senhor engenheiro e da mãe e depois do
falecimento da senhora passei a cuidar só dele. Ao longo dos últimos anos, ele
começou a ficar cada vez mais tempo na cama e agora está quase sempre deitado”.
Embora confesse que “por vezes dá para desesperar” – porque “além de fazer
companhia 24 horas por dia”, ainda trata de toda a higiene do paciente, “que não é
pouca” –, Aldina Almeida afirma que o melhor conselho que pode dar aos
familiares e amigos dos portadores de EM é “lutar, quanto mais, melhor”. É que,
prossegue, “o que lhe vai valendo a ele é que eu mando-o fazer ginástica e se não
fosse assim ainda estava pior”.
De Viseu para o Porto
Com 54 anos, a cuidadora nasceu e viveu em Viseu até vir para o Porto. “Tive o
meu filho e ninguém me rogava, então tive que pô-lo num convento para que as freiras
pudessem olhar por ele, o que fizeram até ele ter cinco anos”, conta. Entretanto,
Aldina ia ver o seu filho “sempre que podia”.
Mais tarde, as mesmas freiras rumaram à Cidade Invicta e, uma vez que estava
habituado com elas, o filho da, na altura, futura cuidadora acompanhou-as. “Eu
vinha cá buscá-lo sempre que podia, no Natal, na Páscoa, no Verão, mas como as
freiras me conheciam, arranjaram para vir aqui para casa do senhor engenheiro. O
meu filho ainda ficou com as freiras uns anos, mas depois saiu e também está aqui.
Estudou, tirou um curso de computadores e já está a trabalhar. Portanto, não somos
familiares, mas é como se fossemos. As irmãs dele vêm cá muitas vezes, mas sou
eu que estou aqui com ele, de dia de noite”, refere Aldina Almeida, acrescentando que
até para ir à sua terra natal, onde tem uma casa, tem dificuldades. “Mesmo para ir a
Viseu, já que tenho lá uma casita, vejo-me ‘à rasca’, porque ninguém aqui quer ficar.
Até já disse que vou levá-lo comigo, mas ele diz que não aguenta e a mim custa-me
porque, por mais rápido que se vá, demora-se sempre uma hora a chegar a Viseu”,
exclama.
Em “jeito” de conclusão a nossa fonte afirma que, apesar das dificuldades que
sente todos os dias, continua “em casa do senhor engenheiro” por esta ser “uma
questão de amor”. E a relação acaba por ser não só de dádiva, mas de troca: “Eu
também tenho alguns problemas porque tive um esgotamento e o que me vai
valendo é estar aqui porque se estivesse em minha casa estaria pior”.
Por Daniela
Couceiro
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