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ANEM - Associação Nacional de Esclerose Múltipa

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Abandono conjugal
Opinião
Maria José Visinho, Psicóloga

“Às vezes, fugimos, afastamo-nos, abandonamos aqueles
que mais amamos só porque não os entendemos e não os
queremos ver sofrer.” 
(anónimo)


O drama e o choque do diagnóstico de Esclerose Múltipla (EM), não são apenas desestabilizadores para o portador de EM, mas também para toda a família. Toda a família sofre com a doença, quase me atreveria a dizer que de certo modo, toda a família fica “doente”.

Quando existe uma dinâmica familiar saudável, ou seja, onde existe diálogo, amor e harmonia na família, todos os elementos do agregado familiar conversam e partilham abertamente os seus receios e expectativas.

Todos na família se mobilizam no sentido de recriar uma nova dinâmica familiar, enquadrada nas limitações e no desempenho do elemento portador de EM, em que são redistribuídos os papéis e tarefas familiares, recuperando-se assim, uma qualidade de vida e harmonia familiar, desta feita, com um novo cenário e em novos moldes encontrados e acordados entre todos os elementos do agregado familiar.

Até a família chegar a este patamar de entendimento e de harmonia, teve que atravessar por um processo mais ou menos longo de muitos ajustes e sofrimento. Não é um trajecto fácil e daí que muitos agregados familiares vejam toda a sua estrutura se desagregar.

Geralmente são agregados familiares que já não são muito consistentes, onde o diálogo é praticamente inexistente. Desse modo a coesão da família com um abalo poderá ser destruída. É o que se verifica em muitos casos. O portador de EM não é compreendido pela família e esta também não está preparada para o entender. Toda a estabilidade familiar é abalada e os outros elementos da família, não conseguindo lidar com a situação de doença, afastam-se e abandonam. Verificam-se alguns abandonos e divórcios no seio dos portadores de esclerose múltipla.

Tem cabimento, em todos estes processos de readaptação familiar, a intervenção do profissional de Psicologia, prestando apoio psicológico ao portador de EM e aos seus familiares, ajudando-os a promover competências psicológicas para lidar com estas situações difíceis, de uma forma positiva e pró-activa.

Com o apoio dos profissionais de saúde, dos psicólogos e da própria família, o portador de EM reorganiza toda a sua vida e a da sua família, criando novos projectos de vida, de trabalho, adaptados à sua nova realidade, recuperando assim a qualidade de vida.

A equipa ainda em embrião, mas com uma grande vontade de se desenvolver, dos psicólogos colaboradores voluntários da ANEM pretende contribuir para esse renascer de qualidade de vida e felicidade, com um espírito de Missão.



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