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Editorial
É Carnaval
O mês de Fevereiro, além de ser o mais curto do ano, engloba com muita frequência as celebrações do Carnaval. Neste ano, assim aconteceu.
Ora, no Carnaval é costume afivelar uma máscara com a finalidade de dissimular o semblante que diáriamente nos caracteriza e identifica, de molde a emprestar provisoriamente um ar alegre e folião.
Conquanto na ANEM não haja tradição de festejar o Carnaval e eu pessoalmente não simpatize sobremaneira com esta época do ano, aproveito a tradição, tal como nos entra em casa por via da comunicação social, para, a propósito tecer algumas considerações.
Começo por esta louca, desinibida e tantas vezes desenfreada celebração, qual reminiscência de velhos costumes medievais pagãos, em que se festejavam os primeiros sinais do fim de um longo inverno, de forma ruidosa, atrevida, mas brincalhona e trapalhona, usando máscaras e mantos, diáfanos de pura fantasia, que simulavam o improvável, enalteciam o impossível e exacerbavam o irrisório.
Sendo como é uma época de elevada mistificação, em que a realidade se confunde com a fantasia, a leviandade mal disfarçada se encontra paredes meias com a razão e os lapsos substituem o rigor, esta trapalhada dura escassos quatro dias, após os quais tudo regressa à normalidade. Volta a dor, o sofrimento, o mal estar e as limitações... Mas que voltem com sinal positivo de estoicismo, de resistência, de bravura, como que a gritar bem alto: É VERDADE, SOFRO, SIM! MAS ESTOU VIVO!
Ângelo
Soares
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