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ANEM - Associação Nacional de Esclerose Múltipa

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Aquando da realização do “Encontro” em 4 de Dezembro de 2004, tive oportunidade de enviar um inquérito sobre as queixas que mais afectavam os nossos doentes afim de, durante o encontro, responder, esclarecendo quaisquer dúvidas que persistissem, o que realmente aconteceu.

Impressionou-me, contudo, especialmente a elevada incidência de queixas de fadiga que surgiram e, assim, faço aqui um resumo da explicação científica actual para a desagradável sensação de cansaço que tanto desgasta e incomoda os doentes com esclerose múltipla.

Segundo a bibliografia científica mais recente, está demonstrado que a fadiga é o sintoma mais frequente em doentes com esclerose múltipla e o pior é que não se sabe ainda ao certo a sua fisiopatologia, isto é, o mecanismo que leva ao desenvolvimento da fadiga; apenas se constata no PET (Tomografia de Emissão Positrónica) um hipometabolismo em áreas cerebrais específicas, incluindo certos circuitos frontais e subcorticais.

Na verdade, comparando imagens obtidas por PET em doentes com esclerose múltipla que se queixam de fadiga e doentes do mesmo escalão etário sem fadiga, verifica-se que há, nos primeiros, evidentes sinais de baixa do metabolismo local da glicose, sendo este normal nos segundos para este parâmetro. O hipometabolismo é mais proeminente no cortex pré-frontal e gânglios basais.

O impacto da fadiga no dia a dia do doente, bem como a sua qualidade de vida garantem a vantagem duma intervenção, e assim, certas medidas tais como o exercício físico, estratégias para conservação de energia e diversos agentes farmacológicos têm sido avaliados na sua eficácia em reduzir a fadiga relacionada com a esclerose múltipla.

Os produtos farmacêuticos mais usados para reduzir a fadiga são a amantadina, certos estimulantes cerebrais como a pemolina e ainda o recente agente utilizado para promover a atenção, o modafinil, todos com resultado relativo.

Dr. Ângelo Soares
Neurologista
Membro GEEM
Director Clínico da ANEM


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