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Correio dos Leitores

Com um pouco de planeamento as férias são doce realidade

Condicionar não é evitar


"Quando a Esclerose Múltipla (EM) me foi diagnosticada, há nove anos, naturalmente que o impacto da notícia em mim, e na minha família, foi grande e que tive que adaptar a minha vida à nova realidade. Apesar de tudo, a doença nunca foi impedimento para ir mantendo alguma actividade profissional e social. E as férias não foram excepção, já que uns merecidos dias de descanso para a família são uma questão de direito e de dever. Direito de todos e dever meu pois não posso condicionar em demasia os meus familiares.

Aquiles e Elisabete Pinto Porém, tal como em quase todos os aspectos da minha vida, também nas férias o planeamento assume uma grande importância. Como sei que os pacientes de EM não devem estar demasiado expostos ao calor, a questão colocada há uns anos por um anúncio publicitário sobre praia ou campo não se coloca no meu caso, pelo que tenho de escolher locais de férias em regiões mais frescas. A primeira opção foi utilizar como meio de transporte o autocarro através de um dos vários serviços de excursão disponíveis no mercado. Contudo, este ano há mais uma condicionante na definição das férias: a minha mulher teve recentemente um problema oncológico e está ainda em tratamento. Desse modo, decidimos recorrer ao nosso automóvel, de forma a termos uma maior autonomia, no caso de termos de voltar com alguma urgência ao Porto. 

Com base nestes pressupostos, elegemos o Minho e a região da vizinha Espanha da Galiza para passar uns merecidos dias de descanso. Ao todo serão seis os dias de viagem, com passagem por Ponte de Lima, Monção, Lugo, Corunha, Santiago de Compostela, Vigo e Viana do Castelo, entre outras bonitas cidades. O importante é que, mesmo não sendo as zonas em causa muito quentes, o ar condicionado do automóvel permaneça ligado e que as deslocações não ultrapassem os 200 km. Isto porque todas as precauções são poucas no sentido de evitar, tanto quanto possível, o cansaço em demasia. 

Partilho o meu caso com todos os leitores do JornalAnem – um dos meus companheiros de leitura predilectos, dado os temas importantes que trata, e bem, todos os meses – para dar o meu humilde contributo para tentar mudar a mentalidade de alguns doentes de EM que preferem não sair de casa do que assumir alguns condicionalismos na hora de planear as férias."

Aquiles e Elisabete Pinto
Sócio Nº 335



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