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ANEM - Associação Nacional de Esclerose Múltipa

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Dr.a Ana Luísa Leal Ciência
Alterações cognitivas na EM


Dr.ª Ana Luísa Leal
Psicóloga voluntária na ANEM


Cerca de 50% das pessoas com Esclerose Múltipla (EM) experimentam algumas mudanças no seu funcionamento cognitivo durante o curso da doença. Os sintomas cognitivos incluem dificuldades ao nível da atenção, memória, lentificação no processamento de informação, capacidade de resolução de problemas e fluência verbal.

A capacidade de atenção / concentração é uma função cognitiva essencial, que permite seleccionar as informações importantes a ser, posteriormente, armazenadas.

A memória refere-se à capacidade de recordar acontecimentos ou situações recentes, sendo a função cognitiva mais afectada. Um exemplo possível poderia ser a dificuldade em procurar na memória um número de telefone que seja importante. Pelo contrário, não apresentam dificuldades para se lembrar de acontecimentos ou situações passadas.

Ao nível da velocidade no processamento de informação é importante não só ter a capacidade de armazenar dados e poder recordá-los, mas também aceder rapidamente a essas informações quando necessário. Por exemplo, se falarmos ao telefone com alguém é preciso relembrar todos os dados correspondentes a essa pessoa e, provavelmente, muitos outros dados relativos ao tema da conversa.

A capacidade de resolução de problemas inclui as etapas de analisar uma situação, identificar possíveis soluções, planificar acções de comportamento e realizá-las. 

A fluência verbal é outra função cognitiva que pode ser afectada pela EM; uma das suas manifestações é o fenómeno da palavra que fica na ‘ponta da língua’.

Estas alterações cognitivas podem ocorrer em qualquer momento da doença, podendo mesmo aparecer como sintoma inicial. Apesar do grau da incapacidade cognitiva estar relacionado com a extensão e localização da lesão, esta associação é fraca, significando que uma pessoa recentemente diagnosticada pode apresentar limitações cognitivas severas, enquanto pessoas em fase tardia da doença podem manter as suas funções preservadas. As dificuldades cognitivas podem tornar-se mais evidentes durante as exacerbações e melhorar durante os períodos de remissão.

Na maioria, as limitações cognitivas são relativamente moderadas em doentes com EM; e com o recurso a estratégias compensatórias pode-se minimizar o impacto desses défices e ajudar a pessoa a ter uma funcionamento mais eficaz na sua vida. Assim, com este objectivo pode-se utilizar algumas estratégias de substituição, nomeadamente, listas de tarefas importantes, calendários familiares, livros de memórias, entre outros.

No entanto, em cerca de 10% estas limitações podem ser severas e, deste modo, interferir com a capacidade de assegurar várias tarefas ao mesmo tempo e de cumprir responsabilidades. Nestes doentes deve recorrer-se as estratégias que visam restaurar as funções cognitivas lesadas, através de exercícios de treino; contudo, estas não têm evidenciado grande impacto na vida do dia-a-dia.

in Multiple Sclerosis: A Model of Psychosocial Support
in Viver com EM: Aspectos Psicológicos


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