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ANEM - Associação Nacional de Esclerose Múltipa

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Dr. Ângelo Soares Consultório

Dr. Ângelo Soares
Neurologista Membro GEEM
Director Clínico da ANEM


Desde há algum tempo que, sempre que tenho de falar acerca da terapêutica da EM (Esclerose Múltipla), aproveito para citar a chamada Terapia Génica como a forma de tratamento do futuro que tem como característica principal impedir a evolução progressiva da EM, travando o processo que ficará estacionário na fase em que for instituído o tratamento.

Durante um certo período, esta referência soava a futurismo, sendo vista como algo dum futuro distante, longínquo e até utópico, mas, ao ler um dia destes uma pequena notícia num jornal dedicado só a temas de medicina, sou surpreendido com a informação de que na União Europeia está já a ser elaborado um diploma que regulará juridicamente a utilização da Terapia Génica nos vinte cinco países da União. Mais ainda, essa legislação deverá ficar terminada no fim de Julho deste ano, devendo entrar em vigor com força de Lei aplicável na UE até Outubro próximo. 

Isto significa só que a Terapia Génica já mexe!

Cromossoma É claro que não será imediatamente aplicável em doentes com EM, em que será necessário referenciar, marcar e “tratar” cerca de 80 genes em diversos cromossomas, o que à partida é complicado… e caro!

Outras situações muito mais frequentes e tecnicamente mais fáceis terão a prioridade. Estou a pensar em certos tipos de Cancro, na doença de Alzheimer, na doença de Parkinson, nas doenças do foro Reumatológico, etc. 

Por outro lado, não há ainda qualquer notícia acerca de um eventual movimento do Governo Português no sentido da elaboração de contratos de comparticipação nos custos por parte dos actuais sistemas de saúde. Nesta matéria, penso eu que a Indústria Farmacêutica terá também uma palavra a dizer.

De qualquer modo, a Terapia Génica vem revolucionar as actuais terapêuticas que, qual triste remedeio, se vão usando pelo Mundo fora, como os Interferões, as Quimioterapias, certos agentes Alquilantes, Cortisonas e quejandos, os quais passarão à História nos velhos compêndios de Medicina, como “o que se fazia à falta de melhor, para minorar os efeitos devastadores da Esclerose Múltipla” nos finais do séc. XX.

Aquilo a que eu me referia como “a luz ao fundo do túnel” subitamente revela-se muito mais perto do que seria de esperar e, para bem dos doentes, que todas estas barreiras burocráticas sejam rapidamente ultrapassadas de molde a que também em Portugal a Terapia Génica seja a curto prazo uma prática corrente e acessível a todos, fazendo renascer a Esperança.


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