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Dr.a Ana Luísa Leal Ciência
Respostas emocionais ao diagnóstico de EM

Dr.ª Ana Luísa Leal
Psicóloga voluntária na ANEM


O diagnóstico de EM é, geralmente, encarado como uma notícia assustadora que desencadeia uma variedade de respostas emocionais. 

Os doentes recém-diagnosticados apresentam, frequentemente, uma atitude de negação, procurando rejeitar as evidências clínicas da sua doença; e, frequentemente, esta atitude perante a EM reemerge em vários momentos de uma doença em que os sintomas podem recuar por longos períodos de tempo.

O sentimento de negação pode ser protectivo e adaptativo numa fase inicial, permitindo às pessoas funcionarem eficazmente face a sentimentos intensos, como o choque. No entanto, e gradualmente, esta atitude de negação vai sendo substituída por outras reacções emocionais. 

O sentimento de perda é uma resposta que pode estar presente em todo o curso da doença, ainda que, por vezes, de forma intermitente. Qualquer mudança ou novo sintoma representa uma perda que requer possíveis alterações no estilo de vida.

À medida que as limitações físicas e cognitivas se vão acumulando, a raiva e a frustração podem ser vivenciados de um modo intenso, devido às dificuldades que sentem para cumprir as obrigações inerentes aos seus papéis sociais.

É precisamente o carácter imprevisível da EM que faz com que as pessoas experimentem uma falta de controlo não só do seu corpo mas também das suas vidas, o que as pode tornar extremamente ansiosas. 

A depressão constitui-se como uma outra resposta emocional à EM, apresentando uma grande prevalência entre as pessoas diagnosticadas com a doença. Os estudos indicam que pelo menos 50% dos doentes passam por episódios de depressão, que se manifestam por sintomas como: o humor deprimido, desalento e desespero; marcada diminuição de interesse e prazer na maioria das actividades; alterações do apetite, com perda ou ganho de peso; insónias, perda de energia; dificuldades de concentração, entre outros.

É de salientar que todas as pessoas podem, em certa altura das suas vidas, manifestar alguns destes sintomas; no entanto, para se poder assegurar que a pessoa está deprimida, os sintomas têm de se manter no tempo com determinada intensidade.

Assim, respostas emocionais como a negação, raiva, tristeza e depressão são reacções normais ao diagnóstico da EM e podem reaparecer em qualquer momento da doença, devido à incerteza do seu prognóstico. O importante é que as pessoas aprendam a expressar estes sentimentos e a elaborá-los de forma construtiva, permitindo-lhes lidar com a doença e as respostas emocionais inerentes de forma adaptativa.

in Multiple Sclerosis: A Model of Psychosocial Support


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