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A Esclerose Múltipla
Esta é outra das doenças que afectam sobretudo as mulheres.
Surge frequentemente enter os 20 e 40 anos de idade a “as
mulheres têm o dobro da probabilidade de sofrer de esclerose
múltipla face aos homens”, esclerose o neurologista Ângelo
Soares. Por conseguinte, das 5000 pessoas que sofrem desta
doença em Portugal, a maioria é do sexo feminino.
O neurologista que acompanha as actividades da Associação
Nacional de Esclerose Múltipla (ANEM) adianta que dos
diferentes tipos de esclerose múltipla, o mais recorrente
(80%) é aquele que se caracteriza por remissões e recorrências,
“podendo evoluir ou não progressivamente”. Ângelo Soares
diz também que, pode atravessar as sequelas da patologia.
Assim, as doentes terão de conviver com os sintomas como a
fadiga, as alterações de visão, a fraqueza muscular, a
falta de forças, as dores, a perda de equilíbrio e a
dificuldade em coordenar os movimentos, o que pode comprometer
a estabilidade do corpo. Outro dos sintomas é a
espasticidade, ou seja, a dificuldade em andar normalmente, o
que implica, por parte da doente, um esforço suplementar.
Segundo a ANEM, um dos sinais característicos da
espasticidade é a “dificuldade em dobrar os joelhos e a
tendência para arrastar os pés e tropeçar”. Há também
alterações cognitivas, ainda que pouco frequentes, e
emocionais. Problemas urinários e intestinais também são
comuns e, ao nível sexual, a mulher perde sensibilidade e
lubrificação vaginal. Resumindo: “ A esclerose múltipla
é uma doença gravemente incapacitante, que pode até deixar
a doente numa cadeira de rodas”, aponta Ângelo Soares. O médico
recomenda, então, que a mulher tenha um cuidador, “alguém
que se dedique sé a ela”, acompanhamento psicológico,
“pois as suas relações do ponto de vista social e familiar
degradam-se com o passar do tempo e o agravamento da doença,
o que em Portugal costuma dar origem a divórcios, e, nos países
do Norte, a suicídios. O neurologista recomenda ainda “uma
fisioterapia cuidada”.
TIPOS DE ESCLEROSE MÚLTIPLA
RECORRENTE REMISSIVA
Ocorre em 60% dos casos. Os doentes sofrem “ataques” –
também denominados surtos ou exacerbações – seguidos por
períodos de remissão com recuperação completa ou quase
completa.
Chama-se surto a ocorrência aguda de sintomas indicando
atingimento do sistema nervoso central, com a duração de
pelo menos 24 horas. Os sintomas são múltiplos, em função
do sistema nervoso afectado. Podem ser leves e desaparecer sem
tratamento, mas geralmente é necessário tratar com
corticosteróides injectáveis. Os surtos podem ocorrer
separados por semanas, meses, ou mesmo anos, sem acumulação
de incapacidade, mas com o passar do tempo podem tornar-se
mais numerosos e intensos.
SECUNDARIAMENTE PROGRESSIVA
Resulta da evolução do tipo anterior, por isso se chama
secundariamente progressiva (cerca de 25% de todos os casos).
Os doentes continuam a ter surtos mas a recuperação torna-se
incompleta. A continuação da progressão ocorre
independentemente dos surtos e a incapacidade global aumenta
gradualmente com o tempo, apesar de a velocidade de progressão
da doença ser indeterminável.
PRIMARIAMENTE PROGRESSIVA
Os doentes cuja incapacidade agrava continuamente sem surtos,
remissão ou recuperação, sofrem de esclerose múltipla
primariamente progressiva. Esta forma é comum em doentes que
sofreram os seus primeiros sintomas após os 40 anos de idade
cerca de 15% dos doentes). É a mais incapacitante e problemática
quanto ao tratamento.
in Revista TEMPO n.º 70, 23 a 30 de Março de 2005
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