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I Colóquio sobre esclerose múltipla
ensina a viver melhor com a doença incurável
Patologia, que afecta particularmente adultos jovens, pode levar à paralisia dos membros e à cegueira
Sob o tema "Ajudar a viver", a Associação Nacional de Esclerose Múltipla (ANEM) realizou ontem, em Gaia, o primeiro colóquio sobre a doença que afecta cerca de cinco mil portugueses.
Ainda sem perspectivas de cura, são os cuidados diários e a busca de uma maior qualidade de vida que mobiliza os doentes e foram estes os principais temas em debate no encontro de ontem.
Os cuidados familiares são, aliás, na opinião da técnica Daniela Couceiro, da ANEM, "essenciais na definição do rumo que a doença toma". Afinal, lembra, "ninguém morre de esclerose múltipla". No entanto, um tratamento adequado "pode evitar ou minorar algumas das consequências mais graves da doença".
De origem ainda desconhecida, a esclerose múltipla (EM) é uma doença que afecta particularmente os adultos e é mais frequente nas mulheres que nos homens. Afecta o sistema nervoso central e destrói as bainhas da mielina, que, numa comparação rudimentar, funcionam no corpo como o plástico que isola um fio eléctrico e lhe permite conduzir a energia sem danos.
As lesões na mielina travam os impulsos nervosos, o que se traduz numa série de sintomas, como a perda de visão, falta de força e de sensibilidade nos membros, alterações de memória, rigidez dos membros e dificuldades de locomoção.
Tratamento adequado pode evitar as consequências mais graves da doença
Um cenário pouco animador, mas cujo conhecimento "é essencial para encarar a doença e lutar contra ela", como lembra o presidente da ANEM. Agora com 53 anos, João Casais diz ter ficado "muito feliz" quando descobriu a doença. Afinal dos 16 aos 40 anos, viveu "a incerteza de múltiplos diagnósticos" e o "medo de ter um cancro na cabeça.
Hoje, a associação a que preside pretende fornecer aos doentes o máximo de informações sobre a patologia a ajuda-los a encontrar apoios para lidar com as limitações do dia-a-dia.
in O Comércio do Porto, 5 de
Dezembro 2004
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